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quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

A Importância do Museu para a Construção do Saber na Escola Pública



A IMPORTÂNCIA DO MUSEU PARA A CONSTRUÇÃO DO SABER NA ESCOLA PÚBLICA






Wagner Aragão Teles dos Santos[1]



Resumo: Este presente trabalho visa discutir a importância das visitas aos museus para o processo de aprendizagem na escola pública. Contribuindo assim, para a reflexão sobre as políticas públicas voltadas para a área de educação, que ajude na ampliação da utilização dessa ferramenta histórico-didático-pedagógica.


Palavras-Chave: Educação; Patrimônio Histórico; Museu; Memória.



Não é difícil encontrarmos no Brasil alguém que nunca visitou um museu em toda a sua vida. Na verdade, no nosso país esse é um hábito pouco praticado pela população em geral.
As pessoas geralmente, não enxergam os museus como espaço de construção do saber histórico e social, e sim, como “um lugar onde existem coisas velhas, objetos velhos”.[2]
Os museus históricos, se bem utilizados, são uma fonte quase inesgotável do saber. Espaço de produção e socialização do conhecimento, de identificação do sujeito com a sua história e de conscientização da preservação do patrimônio cultural.
Segundo Ana Ramos Rodrigues, os objetos que se encontram nos museus, “estão carregados de historicidade”.[3] No entanto, para ela, “é preciso exercitar o ato de ler os objetos, de observar a história que há na materialidade das coisas”[4]. Ou seja, é preciso um olhar crítico, que possibilite a leitura do que está subentendido no objeto ao qual está se olhando, em que a criticidade, o questionamento e a obtenção de respostas, sejam elementos fundamentais  na visita ao museu, para que também, a memória elitista preservada nos inúmeros museus deste país, seja questionada pelas classes que se sintam excluídas.
Corroborando com essa linha de pensamento, Caiuá Al-Alam nos diz, que o museu não é apenas um espaço para nos preocuparmos com as coisas que aconteceram no passado, e sim, “porque elas foram como foram”.[5] A partir disso, devemos pensar o museu como espaço de questionamento do passado- não apenas para conhecermos o nosso passado- mas, para questionarmos o passado para sabermos porque as ações humanas aconteceram da maneira que aconteceram, lançando luz às contradições existentes na sociedade contemporânea.
Para que esse olhar crítico diante das peças existentes nos museus seja utilizado pela população em geral, devemos pensar em primeiro lugar, na valorização dos museus como patrimônio cultural. E essa valorização, acreditamos que deva começar na escola, para que o indivíduo desde muito cedo perceba as relações existentes entre o patrimônio cultural e a sua trajetória como sujeito histórico.
A educação patrimonial é um instrumento de “alfabetização cultural” que possibilita ao indivíduo fazer a leitura do mundo que o rodeia, levando-o à compreensão do universo sóciocultural e da trajetória histórico-temporal em que está inserido. Este processo leva ao reforço da autoestima do indivíduo e comunidades e à valorização de sua cultura, compreendida como múltipla e plural.[6]

A partir disso, o aluno se identifica com o patrimônio cultural e preserva algo que é comum à toda a comunidade em que está inserido, sendo agente propagador da preservação da memória, do conhecimento adquirido e do olhar crítico aprendido com a observação das peças existentes nos museus.
Dentro desta perspectiva, as visitas aos museus históricos deveria ser algo comum na rede pública de ensino de todo o país, estimulando assim, o interesse posterior do cidadão com seu patrimônio histórico-cultural. Segundo Ana Ramos Rodrigues, “uma visita pode representar pouco, mas este pouco poderá ser o estímulo para que ocorram outras visitas posteriores e estimulem a construção de novos conceitos”. No entanto, ainda percebemos resistência dos professores e da direção escolar ao se tratar de visitas à museus, assim como, observamos a falta de políticas educacionais voltadas para aproximar o museu da escola.
Há uma necessidade de se implementar no país, uma política educacional em que a visita ao nosso patrimônio histórico se torne mais uma, das inúmeras ferramentas importantes na prática docente. É necessária uma mudança da comunidade escolar ao se tratar desse assunto. Ana Ramos Rodrigues nos conta que:

Desenvolvendo uma maior conscientização cultural para professores, alunos e todos os envolvidos, não ficando apenas o museu desenvolvendo seu trabalho e a escola agindo de forma passiva. É necessário incentivar um maior desenvolvimento das partes, para proporcionar aos alunos, um acesso maior a esse tipo de cultura.[7]


A necessidade à cultura por parte dos alunos da escola pública é uma questão extremamente delicada, pois, apenas depois de entendermos os aspectos sócio-econômicos do nosso país, poderemos entender o porquê da indiferença da grande maioria da sociedade brasileira em relação ao patrimônio histórico e cultural.
Os alunos que estudam nas escolas públicas do nosso país, em sua grande maioria, fazem parte da classe menos favorecida economicamente da nossa sociedade, que dentre outras necessidade, carecem por acesso à cultura, informação e lazer.
Segundo Ana Ramos Rodrigues, “no Brasil, pesquisas mostram que, na maioria das vezes, é somente por meio da escola que crianças e jovens das classes em desvantagens econômicas visitam as instituições culturais”.[8]
Assim sendo, podemos perceber o quanto a escola é importante para a mudança de pensamento da nossa sociedade em relação à valorização e preservação do patrimônio histórico-cultural, assim como, a identificação do indivíduo e da comunidade com a memória que está preservada nestas instituições.
Dentre os inúmeros problemas existentes na escola pública brasileira, o distanciamento entre escolas e museus é mais um obstáculo que nossa sociedade deve ultrapassar para transformá-la num verdadeiro espaço de socialização e construção do conhecimento.        





REFERÊNCIAS:


Al-ALAM, Caiuá Cardoso; ARAÚJO, Edson Souza de; PEREIRA, Kaiene de Carvalho.  Museus e educadores: uma reflexão sobre o uso de museus como ferramenta pedagógica. Revista Latino-Americana de História. V. 2, n. 6, p. 553-168, ago. 2013.

PACHECO, Ricardo de Aguiar. Educação, Memória e Patrimônio: ações educativas em museus e o ensino de História. Revista Brasileira de História. São Paulo, v. 30, nº 60, p. 143-154, 2010.

RODRIGUES, Ana Ramos. O Museu Histórico como Agente de Ação Educativa. Revista Brasileira de História e Ciências Sociais. v. 2, n. 4, p.215-222.

RODRIGUES, Ana Ramos.  O museu e o ensino de história. Disponível em: http://www.revistamuseu.com.br. Acesso em: 22 out 2013.


[1] Wagner Aragão Teles dos Santos é graduado em Licenciatura em História pelo Centro Universitário Jorge Amado e especialista em História Social e Econômica do Brasil pela Faculdade São Bento da Bahia.
[2] RODRIGUES, Ana Ramos. O Museu Histórico como Agente de Ação Educativa. Revista Brasileira de História e Ciências Sociais. v. 2, n. 4, p.217.
[3] RODRIGUES, Ana Ramos. O Museu Histórico como Agente de Ação Educativa. Revista Brasileira de História e Ciências Sociais. v. 2, n. 4, p. 217, dez. 2010.
[4] idem.
[5]Al-ALAM, Caiuá Cardoso; ARAÚJO, Edson Souza de; PEREIRA, Kaiene de Carvalho.  Museus e educadores: uma reflexão sobre o uso de museus como ferramenta pedagógica. Revista Latino-Americana de História. V. 2, n. 6, p. 556, ago. 2013.
[6]PACHECO, Ricardo de Aguiar. Educação, Memória e Patrimônio: ações educativas em museus e o ensino de História. Revista Brasileira de História. São Paulo, v. 30, nº 60, p. 149, 2010.
[7]RODRIGUES, Ana Ramos.  O museu e o ensino de história. Disponível em: http://www.revistamuseu.com.br. Acesso em: 22 out 2013.
[8] idem.